FOCO

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FOCO

Acabei de ler o livro “Foco”, de Daniel Goleman, psicológo, escritor e autor do clássico “Inteligência Emocional”, que revolucionou o modo como o mundo enxerga a inteligência, antes totalmente baseada na habilidade racional e cognitiva, o famoso QI – Quociente de Inteligência.

Neste novo livro, o autor mistura os últimos achados da neurociência com toda sua experiência e sagacidade para jogar luzes sobre uma tendência contemporânea: a dificuldade cada vez maior de manter o foco.

Não é absurdo afirmar que a atenção será o grande ativo das próximas décadas. A Revolução da Informação, e toda a parafertralha tecnológica que vomitou no nosso cotidiano (smartphones, redes sociais e dispositivos de trocas instantâneas de mensagens), nos tornou viciados em estímulos ininterruptos e fragmentos de informação, aumentando tanto a dispersão quanto a ansiedade.

Estamos sempre na angústia do momento seguinte. Tão afobados que não somos mais capazes de usufruir o momento, queremos avançar rapidamente para o próximo capítulo, o próximo instante, deletando o presente na ilusão que assim antecipemos o futuro. Só que desse modo não conseguimos interiorizar a experiência, e sem assimilar o valor das coisas o efeito inevitável será sempre a hegemonia do vazio. Temos cada vez mais pressa, mas não fazemos a menor ideia de onde estamos indo. A velocidade virou um fim em si mesmo.

Consumimos muita informação, mas produzimos pouca reflexão. Está difícil se concentrar e prestar atenção em qualquer coisa, num mundo assolado por distrações de todo tipo.

O autor é eloquente ao fazer a associação entre a capacidade de se concentrar e o sucesso, tanto na vida pessoal quanto profissional.

E embora já nasçamos com alguma predisposição genética a sermos mais ou menos dispersos, a boa notícia é que a atenção é como um músculo, que pode ser treinado e condicionado a atuar de forma melhor e mais intensa.

Um dos conceitos mais interessantes do livro é o de mente ascendente e mente descendente, dependendo de quais regiões cerebrais estejam no controle do processo. A mente ascendente é nossa arquitetura cerebral mais primitiva, intuitiva, automática e controlada pelas emoções, e temos menor controle racional sobre ela, enquanto a mente descendente é controlada por impulsos cognitivos, sobre os quais podemos execer um maior controle.

O autor fala ainda do Foco Triplo da Atenção: o foco interno (que regula o nosso autoconhecimento, nossas intuições e nossa bússola interna de valores); o foco no outro (que diz respeito ao nosso relacionamento com as outras pessoas e nossa capacidade de manifestar empatia) e o foco externo, que é nossa capacidade de interpretar e interagir com o mundo e os sistemas que nos rodeiam, algo particularmente importante para os líderes empresariais e governamentais.
O livro, interessante na maior parte dos casos e repetitivo em alguns trechos, vale a pena sobretudo por convocar à reflexão: temos que focar no que realmente é importante e nos faz melhor, não apenas como indivíduos e profissionais, mas sobretudo como espécie humana e sociedade.

Não é possível viver uma vida em que a gente saiba cada vez mais sobre tudo e sobre todos, mas cada vez menos sobre nós mesmos.

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